INPI projeta desaceleração nos pedidos de registro de marcas até 2030: entenda o cenário
O INPI divulgou novas projeções para o mercado de propriedade intelectual no Brasil até 2030. O relatório aponta uma desaceleração no crescimento dos pedidos de registro de marcas, após anos de forte expansão. Entenda os principais números, as tendências do setor e o que esse cenário representa para empresas, empreendedores e profissionais de propriedade intelectual.
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10/12/20264 min read
Novo relatório do Instituto Nacional da Propriedade Industrial aponta mudanças no ritmo de crescimento dos registros de marcas no Brasil e apresenta perspectivas para os próximos anos.
O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) publicou, em 8 de outubro de 2026, a segunda edição do relatório Cenário Econômico da Propriedade Intelectual no Brasil. O estudo analisa a evolução dos pedidos e concessões de direitos de propriedade industrial e apresenta projeções para o período de 2026 a 2030.
Entre os principais resultados, um dado chama a atenção: após anos de forte expansão, o número de pedidos de registro de marcas deverá apresentar crescimento médio anual de apenas 0,4% até 2030.
A previsão sinaliza uma mudança importante na dinâmica do mercado brasileiro de propriedade intelectual e merece atenção de empresários, empreendedores e profissionais especializados na proteção de marcas.
O que mostram os números do INPI?
Segundo o relatório, os pedidos de registro de marcas cresceram, em média, 11,9% ao ano entre 2021 e 2025. Esse movimento acompanhou a expansão do comércio eletrônico, a digitalização dos negócios e a crescente preocupação das empresas com a diferenciação de seus produtos e serviços.
Para os próximos anos, entretanto, o cenário projetado é diferente.
2025 (realizado): 504.313
2026 (projeção): 444.957
2027 (projeção): 467.611
2028 (projeção): 490.557
2029 (projeção): 503.794
2030 (projeção): 508.288
Fonte: INPI, Cenário Econômico da PI no Brasil, outubro de 2026.
A projeção indica uma redução de aproximadamente 11,8% nos depósitos em 2026, seguida de recuperação gradual até 2030.
É importante destacar que esses números representam estimativas elaboradas pelo INPI em setembro de 2026, e não resultados já confirmados.
Por que os pedidos de registro de marcas podem desacelerar?
O relatório aponta mudanças regulatórias com efeitos mais intensos desde o último trimestre de 2025 como um dos fatores associados à alteração da trajetória dos depósitos de marcas.
O estudo também considera variáveis macroeconômicas, como crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), inflação, investimentos e perspectivas para a atividade econômica.
Na prática, isso significa que o volume de pedidos de marcas não depende exclusivamente da quantidade de novos negócios. Condições econômicas, custos, regras administrativas e decisões empresariais também podem influenciar a procura pelo registro.
Vale observar que a projeção de desaceleração não significa, necessariamente, uma redução da importância das marcas para as empresas.
O que muda para quem deseja registrar uma marca?
Mesmo diante de um crescimento mais moderado dos depósitos, o ambiente de registro de marcas continua exigindo atenção.
O Brasil registrou mais de 500 mil pedidos de marcas em 2025. Esse volume demonstra a dimensão do universo de sinais distintivos que precisam ser considerados por empresas que desejam construir e proteger sua identidade comercial.
Antes de solicitar um registro, é importante verificar a existência de marcas anteriores que possam representar obstáculos, especialmente quando há semelhanças visuais, fonéticas ou conceituais em atividades relacionadas.
Além disso, o acompanhamento dos pedidos publicados pelo INPI permite identificar movimentações relevantes e avaliar eventuais medidas de proteção.
O registro de uma marca não deve ser tratado apenas como uma formalidade administrativa, mas como parte da estratégia de proteção e valorização de um negócio.
Monitoramento de marcas ganha importância estratégica
Um aspecto relevante desse cenário é a necessidade de acompanhar continuamente os registros e pedidos de terceiros.
A publicação de novos pedidos na Revista da Propriedade Industrial (RPI) pode revelar marcas semelhantes às já utilizadas ou registradas por uma empresa.
A análise dessas publicações permite identificar situações que merecem avaliação especializada, inclusive quanto à possibilidade de apresentação de oposição dentro dos prazos legais.
Nesse contexto, ferramentas de pesquisa, análise de similaridade e monitoramento podem contribuir para tornar a gestão de marcas mais organizada e preventiva.
É justamente nessa direção que a tecnologia aplicada à propriedade intelectual pode apoiar empresas e profissionais especializados.
E o cenário para os demais direitos de propriedade intelectual?
O relatório do INPI também apresenta projeções para patentes, desenhos industriais e registros de programas de computador.
As taxas médias anuais projetadas para 2026 a 2030 são:
Patentes: crescimento de 4,9% ao ano.
Marcas: crescimento de 0,4% ao ano.
Desenhos industriais: crescimento de 2,2% ao ano.
Programas de computador: crescimento de 28,9% ao ano.
O destaque fica para os programas de computador, cuja expansão projetada reflete a crescente digitalização da economia brasileira.
Esses resultados mostram que diferentes modalidades de propriedade intelectual podem apresentar trajetórias distintas, mesmo diante de um cenário econômico compartilhado.
O que esperar do mercado de marcas nos próximos anos?
A segunda edição do relatório do INPI apresenta um cenário de acomodação do crescimento dos pedidos de marcas, após um período de expansão expressiva.
Embora as projeções indiquem menor crescimento, o volume esperado permanece elevado, próximo de meio milhão de pedidos anuais ao final da década.
Para as empresas, a principal reflexão é que proteger uma marca envolve mais do que realizar um depósito no INPI. É necessário pesquisar previamente, compreender os riscos de conflito e acompanhar a evolução dos registros ao longo do tempo.
Para os profissionais de propriedade intelectual, o cenário reforça a importância de serviços orientados por informação, análise e monitoramento.
Em um mercado com centenas de milhares de pedidos anuais, transformar dados em decisões pode ser tão importante quanto acompanhar o crescimento das estatísticas.
Fonte
Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Cenário Econômico da PI no Brasil, 2ª edição, outubro de 2026.
Notícia oficial: https://www.gov.br/inpi/pt-br/central-de-conteudo/noticias/inpi-publica-2a-edicao-do-relatorio-cenario-economico-da-pi-no-brasil
O artigo utiliza informações do relatório oficial e apresenta análises complementares sobre seus possíveis impactos para a gestão e proteção de marcas.
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